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Pés humanos abrigam quase 200 tipos de fungos, dizem cientistas.

23 mai

Cientistas descobriram que todos nós temos quase 200 diferentes tipos de fungos colonizando os nossos pés.

Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos, os fungos vivem por todo o corpo humano, mas seus lugares favoritos são o calcanhar, debaixo das unhas e entre os dedos dos pés.

Fungos inofensivos vivem naturalmente na nossa pele, mas podem causar infecção caso se multipliquem.

No primeiro estudo deste tipo, uma equipe dos Estados Unidos catalogou os diferentes grupos de fungos que vivem no corpo humano, e criaram um mapa dessa diversidade que pode ajudar a combater doenças de pele como o pé de atleta — uma infecção nos pés causada por fungos.

Da orelha à curva do cotovelo
Uma equipe liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, em Bethesda, Maryland, sequenciou o DNA de fungos que vivem sobre a pele em 14 diferentes áreas do corpo em dez adultos saudáveis.

As amostras foram retiradas do canal auditivo, da área entre as sobrancelhas, da parte de trás da cabeça, da área atrás da orelha, do calcanhar, das unhas dos pés, entre os dedos, do antebraço, das costas, da virilha, do nariz, do peito, da palma da mão, e da curva do cotovelo.

Os dados revelam que a riqueza fúngica varia ao longo do corpo. O habitat fúngico mais complexo é o calcanhar, que abriga cerca de 80 tipos de fungos. Os pesquisadores descobriram cerca de 60 tipos de fungos em pedaços de unhas dos dedos dos pés, e 40 tipos entre dedos.

Outras partes preferidas pelos fungos incluem a palma da mão, o antebraço e o interior do cotovelo, apresentando um nível moderado de fungos, em torno de 18 a 32 tipo diferentes.

Em contraste, a cabeça e o tronco abrigam poucas variedades de fungos — de 2 a 10 tipos cada.

“Os dados coletados nos dá uma base para o estudo sobre os indivíduos normais que nunca tivemos antes”, disse a principal autora da pesquisa, Julia Segre.

“A conclusão é que nossos pés abrigam uma diversidade enorme de fungos, por isso, se você não quiser misturar os seus fungos com os de outra pessoa, é melhor usar chinelos nos vestiários.”

Enorme diversidade
O estudo define as diferentes colonias de fungos que vivem normalmente na pele, o que permite criar uma estrutura para investigar as condições de pele causadas por fungos.

Em 20% dos voluntários, os pesquisadores observaram problemas relacionados a infecções fúngicas.

Comentando sobre o estudo, o especialista em fungos Dr. Paul Dyler, da Universidade de Nottingham, disse que fungos normalmente podem co-existir muito bem no corpo humano sem causar qualquer dano, exceto em pessoas com sistema imunológico deficiente.

“O estudo ilustra a enorme diversidade de fungos que crescem no corpo humano. Isso é muito maior do que sabíamos anteriormente”, disse Dyler à BBC.

Fonte: G1

 
 

Ações Nacionais para enfrentamento da Gripe.

21 mai

O Ministério da Saúde está adotando uma série de medidas para o enfrentamento da influenza deste ano. Além da campanha nacional de vacinação, que imunizou mais de 32 milhões de pessoas e ultrapassou a meta de 80% do público-alvo, diversas ações em curso visam à prevenção e a redução do número de casos e óbitos por agravamento da doença.

PROTOCOLO – A orientação aos médicos para receitar o Fosfato de oseltamivir (Tamiflu), sem aguardar resultados de laboratório ou sinais de agravamento, em todas as pessoas que integrem o grupo de risco e que apresentem sintomas de Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – como crianças menores de dois anos, gestantes, puérperas, indígenas que moram em aldeias, idosos, obesos e doentes crônicos – é uma das recomendações do Protocolo de Tratamento da Influenza 2013. O protocolo orienta ainda atenção especial às gestantes, reiterando a necessidade do uso do antiviral em até 48 horas após o aparecimento dos sintomas mesmo para as que receberam a vacina, além da investigação do caso com exames complementares.  Quem não pertence aos grupos mais vulneráveis, mas apresente sinais de agravamento da síndrome gripal, o tratamento com o antiviral deve ser iniciado com urgência.

DISTRIBUIÇÃO -O medicamento é oferecido gratuitamente na rede pública e reduz complicações e óbitos pela doença. Para retirar o medicamento, o paciente deve apresentar prescrição médica emitida tanto por profissionais da rede pública como da rede privada.  A adoção de ações de higiene pessoal, como lavar as mãos várias vezes ao dia, cobrir o nariz e a boca ao tossir e espirrar, evitar tocar o rosto e não compartilhar objetos de uso pessoal são algumas das recomendações para a prevenção da gripe.  Em caso de síndrome gripal, deve-se procurar um serviço de saúde o mais rápido possível. O Ministério da Saúde distribuiu aos estados 1.066.082 tratamentos do oseltamivir na fórmula adulto (75mg) e 141.900 tratamentos de uso pediátrico.

AMPLIAÇÃO: A validade do antiviral usado no tratamento da Influenza foi ampliada, conforme resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida atendeu a solicitação do laboratório produtor (Roche) e do Ministério da Saúde, já que o prazo do antiviral com registro no Brasil era de dois anos. O mesmo medicamento possui vencimento de quatro anos em países europeus e nos Estados Unidos.

Com a resolução, o prazo de validade do Tamiflu com concentração 30mg e 45mg (fórmula infantil) passará de dois para quatro anos, a partir da data de fabricação. A modificação está amparada por estudos de estabilidade feitos pelo laboratório produtor. A extensão vale para todos os lotes do medicamento em posse do Ministério da Saúde. A iniciativa contribuirá para a garantia do tratamento adequado aos pacientes.

A alteração será apresentada em etiquetas na embalagem, que também manterá o lacre original de fábrica para demonstrar a integridade do produto. O Ministério da Saúde monitora a quantidade em estoque e avalia a necessidade do envio de novas remessas do medicamento.

IMUNIZAÇÃO:O balanço nacional aponta que foi superada a meta da 15ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Até as 11h desta segunda-feira (20), foram vacinadas 32,4 milhões de pessoas em todo o Brasil. O número representa uma cobertura de 83,7% do público alvo, excluídas as doses aplicadas em doentes crônicos e pessoas privadas de liberdade.  A meta era vacinar 80%, de um total de 39,2 milhões.

Dezenove estados e o Distrito Federal atingiram 80% ou mais de cobertura vacinal. O Ministério da Saúde (MS) recomenda aos estados e municípios que não atingiram a meta para que continuem vacinando quem faz parte dos grupos prioritários. Na análise por grupo prioritário, a campanha teve melhor adesão entre as mulheres em puerpério (45 dias após o parto) com 100% de cobertura, seguido dos trabalhadores em saúde 93%, crianças 88,4% e pessoas acima dos 60 anos 82,3%. A população indígena teve 74,7% de imunização e gestantes alcançaram o menor índice com 73,6%. Grávidas ainda podem se vacinar. A vacina é segura e a melhor forma de prevenção antes do inverno. Foram ainda aplicadas 5,7 milhões de doses em doentes crônicos e 226,1 mil doses em pessoas privadas de liberdade. As pessoas que formam o grupo prioritário são consideradas mais vulneráveis a desenvolver a forma mais grave da doença e ter complicações, como internação e mortes.

RAIO X DA DOENÇA: De 1º de janeiro a 12 de maio de 2013, foram notificados 4.713 casos hospitalizados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), destes 388 casos foram confirmados para o vírus Influenza A(H1N1). No mesmo período deste ano, foram confirmados 391 óbitos por SRAG, sendo 61 por A(H1N1). Durante o ano de 2012, foram registrados 20.539 casos da SRAG, sendo confirmados 2.614 para A (H1N1). No ano passado, foram contabilizadas 1.931 mortes, sendo 351 pelo vírus pandêmico.

Fonte: Ministério da Saúde

 

Os avanços e barreiras da infectologia brasileira.

18 mai

O Brasil tem avançado constantemente na vigilância e combate das doenças infecciosas. Prova disto é a carta enviada, meses atrás, pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, à presidenta Dilma Rousseff, parabenizando o país pelas ações de controle da tuberculose.

Outros programas, como o de controle do HVI/AIDS, e os números no combate à dengue e à influenza também refletem avanços e sinalizam o reconhecimento internacional do aparente momento de desenvolvimento do país no âmbito da infectologia.

Em entrevista exclusiva ao Boletim da SBI, Jarbas Barbosa da Silva Jr, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, comenta as medidas que vem sendo adotadas e as perspectivas para o futuro.

Quais as principais doenças infecciosas no país?

Apesar dos investimentos e do reconhecimento no combate das doenças infecciosas, temos ainda hoje no país números consideráveis de prevalência de dengue, aids, tuberculose e hepatite C, além das doenças demarcadas pelo Plano Integrado de Doenças Transmissíveis Relacionadas à Pobreza, como hanseníase, esquistossomose e a oncocercose.

Os números de internações pelo SUS por conta destas doenças têm aumentado ou diminuído? Por quê?

Sabemos que nos últimos anos tem ocorrido uma redução no número de internações por conta das doenças infecciosas. Em parte, isso se deve à evolução do tratamento ambulatorial e a investimentos com vacinas, medicamentos, contratação de agentes de controle de endemias, manutenção das redes assistenciais, entre outros.

Com relação a medicamentos e tratamentos oferecidos pelo SUS, o que ainda falta, na opinião do senhor, relacionado às doenças infecciosas?

Tudo o que é disponível hoje, em âmbito mundial, já está sendo incluído no Brasil. Mesmo medicamentos ultrarrecentes, como os inibidores de protease para Hepatite C, já estão sendo incorporados para entrega gratuita. Somos um dos poucos países de renda média a fazer isso.

Temos investindo, ainda, em novas tecnologias, como os testes rápidos para tuberculose, HIV, sífilis e hepatite, mais precisos e que fazem toda a diferença para a atuação do profissional.  Mantemos no Ministério da Saúde um sistema de revisão contínua para a inserção de novas tecnologias, justamente para que não estejamos defasados em termos de novidades.

Qual é o panorama das doenças infecciosas no país?

No Brasil, como na maioria dos países com renda média semelhante, e em áreas tropicais, temos um panorama muito diversificado. Ao mesmo tempo em que as doenças transmissíveis vêm reduzindo a sua carga de mortalidade, algumas partes da população apresentam indicadores muito maiores do que a média. É o caso da tuberculose entre moradores de rua, ou entre pessoas reclusas, que chega a ter a incidência 20 ou 30 vezes mais alta do que na população em geral. Um dos desafios hoje é mapear os grupos que, por fatores como a condição social, estão mais expostos ao risco e desenvolver estratégias adequadas para alcançar essa população.

Quais medidas o Ministério da Saúde vem adotando para evoluir neste cenário?

Estamos buscando a integração, como no caso da parceria com a estratégia de Saúde da Família, peça chave para garantir que as ações de combate às doenças infecciosas cheguem a pessoas com barreiras sociais ou econômicas. A Saúde da Família cobre hoje, no Brasil, metade da população. A grande maioria desses brasileiros se concentra justamente nas áreas com maior incidência de doenças infecciosas. Fazer esta integração é eliminar uma barreira para que a população mais vulnerável tenha acesso aos mecanismos de combate a essas doenças. Outro passo é a criação de estratégias mais adequadas à demanda. Nessa área temos, como exemplo, ações em conjunto com o sistema de justiça, que nos ajuda a mapear e combater as doenças infecciosas dentro de presídios. Também temos implementado ações que visam a facilitar o acesso ao teste diagnóstico de HIV para a população de maior risco, levando o exame em equipamentos móveis até esta população.

Há algum medicamento ou tratamento na iminência de ser ofertados pelo SUS, ou que passou a ser oferecido recentemente?

Temos o caso dos antiretrovirais, que com a participação de especialistas e infectologistas, tentamos nos manter atualizados. Há também novos medicamentos para o tratamento da hepatite C, como os inibidores de protease, que entram agora com a esperança de dobrar as chances de cura em alguns casos. Também temos investido em procedimentos de ajuste da estratégia, pois muitas vezes o medicamento e o tratamento já estão disponíveis, mas não estão sendo implantados da melhor maneira. Então, muitas vezes, a solução não é ter uma nova vacina ou uma nova droga, mas estudar as evidências e o conhecimento cientifico para que se faça a adequação da estratégia.

Como avalia o atual programa de controle das doenças infecciosas se comparado ao de outros países?

O Brasil avançou muito, claro, mas ainda há muita coisa para fazer. Quando dizemos “evoluiu” não estamos eliminando os desafios e a necessidade de melhorar constantemente as atividades. Mas vemos no programa de aids, por exemplo, uma proposta internacionalmente reconhecida por sua eficiência: hoje são mais de 200 mil pessoas em tratamento antirretroviral gratuito. O reconhecimento no combate a dengue e tuberculose também nos mostra que estamos no caminho certo, sem nos fazer esquecer dos desafios, de como fazer com que as pessoas saibam mais cedo das suas condições e desenvolver estratégias mais eficientes para  alcançar as populações mais vulneráveis.

Quais as perspectivas de controle dessas doenças a curto, médio e longo prazo?

A cada doença temos um objetivo diferente. Algumas já podemos pensar em uma estratégia de eliminação quanto a problema de saúde público. Ou seja, no caso da hanseníase, não temos ainda ferramentas que nos permitam a erradicação da doença, mas já é possível reduzir a carga dela de modo que não seja mais um peso para as pessoas. Para outras doenças, como no caso da dengue, nos últimos dois anos nossa meta tem sido reduzir a mortalidade, e já conseguimos uma queda de 80% graças à adoção de tecnologias simplificadas e acessíveis nas unidades de saúde. Para cada doença, um objetivo único: manter e acelerar a redução dos casos e das mortes relacionados a elas.

Qual mensagem gostaria de deixar aos infectologistas?

Gostaria de ressaltar a importância da parceria que temos com Sociedades e especialistas, que têm um papel fundamental na formação e na difusão do conhecimento. Também fazer um alerta para a atenção e preparação envolvendo a formação dos médicos e dos sistemas de saúde para as doenças transmissíveis. É importante lembrar que as doenças transmissíveis continuam sendo um desafio na saúde pública; os currículos das faculdades de medicina devem preparar os novos profissionais para diagnosticar e tratar essas doenças. Muitas vezes, geramos a falsa sensação de que certas doenças acabaram ou estão acabando, quando não é verdade. Algumas doenças podem estar reduzidas, mas ainda há incidência e sempre há a possibilidade de uma nova doença infecciosa surgir.

Fonte: SBI

 
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Ministério da Saúde lança campanha contra as hepatites virais, sífilis e aids.

15 mai

No mês das mães, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde está com uma campanha nas redes sociais voltada para a saúde da família. As peças publicitárias destacam a importância do teste para aids, sífilis e hepatite B durante o pré-natal. “Se der positivo, você e seu bebê podem se cuidar”, ressalta a mensagem.

Toda mulher grávida deve fazer o pré-natal e os exames para detectar essas doenças. O cuidado é fundamental para evitar a transmissão de mãe para filho.
O teste para diagnosticar a sífilis deve ser feito na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação e no momento do parto, independentemente de exames anteriores. Caso o exame dê positivo, é muito importante que o tratamento seja feito com penicilina benzatina, pois este é o único remédio capaz de tratar a mãe e o bebê.
O parceiro também deverá comparecer ao serviço de saúde para ser orientado e tratado, a fim de evitar a reinfecção da gestante. A sífilis congênita pode causar aborto e má-formação do feto, entre outros problemas.
Todos os bebês devem realizar exame para sífilis, independentemente dos exames da mãe. Se o bebê for diagnosticado com sífilis congênita, ele precisará ficar internado por 7 a 10 dias para receber o tratamento adequado.
Já a testagem para o HIV é recomendada no 1º e 3º trimestre da gestação. Mas, no caso de gestantes que não tiveram acesso ao pré-natal, o diagnóstico pode ocorrer também no momento do parto, na própria maternidade, por meio do teste rápido.
As gestantes que souberem da infecção durante o pré-natal têm indicação de tratamento com o coquetel para prevenir a transmissão para o feto. Elas recebem, também, o acompanhamento necessário durante a gestação, o parto e a amamentação. Para minimizar o risco de transmissão, o recém-nascido também deve fazer uso de medicamentos por seis semanas.
A transmissão do HIV também pode ocorrer durante a amamentação, por meio do leite materno. A mãe que tem o vírus não deve amamentar o bebê, sob risco de transmissão da doença para o seu filho. Fissuras no seio da mãe também podem permitir a passagem de sangue por isso o leite da mãe deve ser substituído por leite artificial.
Esse cuidado também é fundamental em casos de detecção de hepatites B. Para evitar a transmissão de mãe para filho – em caso de resultado positivo – é necessário seguir todas as recomendações médicas, inclusive sobre o tipo de parto e amamentação.
A testagem e a vacinação da gestante para hepatite B são importantes medidas profiláticas para proteger os bebês da doença. O ideal é que o teste para detecção da hepatite seja realizado no primeiro trimestre da gravidez. O resultado sendo negativo, a paciente pode fazer a imunização.
É importante ressaltar que a vacinação da mãe é realizada em três doses. A segunda, 30 dias após a primeira e a terceira, 180 dias após a primeira. As peças publicitárias da campanha irão reforçar justamente isso: a importância de se tomar a 2ª e 3ª doses. Só assim é possível alcançar a imunidade. O objetivo é superar a taxa de abandono da 3ª dose, superior a 40%.
No caso dos bebês, a vacinação é a principal medida preventiva da transmissão vertical (da mãe para o filho). A imunização é feita em quatro doses. A vacinação deve ser iniciada nas primeiras 12 horas de vida. As segunda, terceira e quarta doses são aplicadas, respectivamente, aos dois, quatro e seis meses de idade.

Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais – Ministério da Saúde

 

Dois terços das mulheres não associam HPV a câncer, diz estudo

14 mai

Uma pesquisa feita pelo Ibope indica que dois terços das mulheres brasileiras não sabem que o vírus do papiloma humano está relacionado à incidência de câncer de colo de útero. O dado é preocupante, pois a prevenção contra o vírus é a forma mais eficaz de evitar a doença – o segundo tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil, atrás apenas do câncer de mama.

O HPV é um vírus sexualmente transmissível, que é passado em um simples contato de pele com pele, desde que nas regiões infectadas. Provoca verrugas e ferimentos genitais, e essas verrugas muitas vezes dão origem a tumores. O tipo de câncer mais comumente causado por ele é o de colo de útero, mas isso pode ocorrer também no ânus, no pênis ou na garganta.

“A pesquisa mostra a necessidade de continuar passando as informações para a população”, alertou Garibalde Mortoza Junior, presidente na Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, que idealizou o trabalho.

A consulta foi feita em seis capitais: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. “Se nas principais capitais, a desinformação paira, imagina nas cidades menores”, comentou Mortoza.

Cidades menores e locais isolados são, de fato, as maiores preocupações dos médicos em relação ao combate ao câncer de colo de útero. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, esse é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, à frente até do câncer de mama.

HPV
O estudo perguntou às mulheres quais são as melhores formas de evitar o HPV. Entre as entrevistadas, 83% citaram o preservativo como uma maneira de evitar a transmissão.

A camisinha é sim recomendada, pois reduz o risco de transmissão da maioria das doenças sexualmente transmissíveis. Porém, no caso específico do HPV, ela não é 100% eficaz, pois o simples contato de pele com pele pode ser suficiente para que o vírus seja passado.

Outro método muito importante de prevenir a transmissão é a vacinação. Apenas 24% das entrevistadas sabiam que existe vacina contra o HPV. A vacina é cara – são três doses, cada uma entre R$ 220 e R$ 400 – e ainda não está disponível na rede pública.

“O que eu tenho conhecimento é que é uma vontade do Ministério da Saúde”, disse Mortoza, que acredita que ela seja disponibilizada em breve para algumas faixas etárias.

Os médicos recomendam a vacinação principalmente para meninas com entre 12 e 14 anos, porque a eficácia é maior quando as doses são aplicadas antes do início da vida sexual. “Não quer dizer que depois não é pra fazer”, ressaltou o especialista.

Papanicolau
Além de evitar a transmissão do HPV, também é muito importante fazer exames regulares para identificar lesões no colo do útero antes que elas se tornem um câncer. O diagnóstico precoce aumenta a eficácia do tratamento.

O exame em questão é o Papanicolau, que deve ser feito, no mínimo, a cada três anos. Os dados da pesquisa em relação a esse exame também são preocupantes: 18% das entrevistadas nunca o realizaram, e 13 % fizeram apenas uma vez na vida.

“O câncer do colo do útero é um dos poucos que você previne”, lembrou Mortoza, enfatizando a importância dos exames preventivos.

Para o especialista, o Brasil tem dificuldades nesse setor e o sistema de saúde britânico é um exemplo a ser seguido. Lá, se uma mulher deixa de fazer ou buscar o exame, é procurada pelos agentes de saúde.

Aqui, segundo ele, o processo de deslocamento e marcação de horários na rede pública acaba afastando algumas pacientes. De toda forma, as mulheres também precisam ter consciência dos riscos e procurar a orientação, mesmo que não haja sintomas.

“Se a mulher não vai ao ginecologista, não adianta nada”, resumiu o médico.

Fonte: G1